Minas Gerais: Crise hídrica, nível de água melhora em 3 hidrelétricas do Triângulo Mineiro, mas Emborcação e Nova Ponte deixam Cemig em alerta

Em 84 dias, o volume útil melhorou em 3 das 5 hidrelétricas localizadas no Triângulo Mineiro que fazem parte do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, que é monitorado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O levantamento foi feito pelo G1 com os dados publicados em reportagem com informações de 4 de junho em comparação com atualização da última sexta-feira (27).

Das 5 usinas da região, Emborcação e Nova Ponte são as que mais preocupam a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que alerta para o uso consciente e racional de energia elétrica.

Um levantamento inédito do MapBiomas, uma iniciativa que reúne cientistas e ambientalistas para mapear o país, apontou que o Brasil perdeu 15,7% de superfície de água nos últimos 30 anos, o equivalente a 3,1 milhões de hectares de superfície hídrica. O Governo Federal também reconheceu a pior da crise e prevê desconto para quem reduzir o consumo de energia.

Além da situação da geração de energia, a crise hídrica na região também atinge o abastecimento de água. As duas maiores cidades do Triângulo Mineiro, Uberaba e Uberlândia vivem situações distintas no abastecimento de água. Enquanto a primeira já adota medidas para evitar desperdício e manter a vazão do sistema de captação, a segunda ainda mantém níveis dos sistemas Bom Jardim e Sucupira graças ao funcionamento parcial de Capim Branco.

Situação das hidrelétricas

De acordo com o ONS, o volume útil nas cinco hidrelétricas do Triângulo Mineiro que fazem parte do subsistema Sudeste/Centro-Oeste está abaixo de 25%. No entanto, nos últimos 84 dias a situação dos reservatórios das usinas de Água Vermelha, Marimbondo e São Simão teve leve melhora.

Apesar do aumento no volume útil no período, o impacto é muito pequeno em relação à capacidade total do sistema. Vale lembrar que, quanto mais próximo de 100%, melhor.

A principal influência na operação são fatores climáticos e também a política operativa realizada no sistema interligado nacional, que é coordenado pelo ONS, para que todas as usinas possam gerar energia no país.

Água Vermelha

A hidrelétrica instalada no Rio Grande, na divisa entre os municípios de Iturama (MG) e Ouroeste (SP), Água Vermelha tem potência 1.396,200 Megawatts (MW). O lago é capaz de armazenar 2,13% do volume que pode ser armazenado pelo sistema.

Segundo o ONS, o volume útil no dia 4 de junho era de 7,74%. Já na última sexta-feira (27), o volume represado era de 20,29%.

Marimbondo

Outra instalada no Rio Grande, a UHE de Marimbondo fica entre os municípios de Fronteira (MG) e Icém (SP), e tem potência instaladas de 1.440 MW.

Ela representa 2,64% do subsistema Sudeste e Centro-Oeste. Em 4 de junho, o volume útil da represa era de 8,21% da capacidade total; na última sexta, havia subido para 13,71%.

São Simão

Localizada entre Santa Vitória (MG) e São Simão (GO), a UHE de São Simão opera com seis turbinas, que geram 1.710 MW. A energia produzida é suficiente para abastecer 6 milhões de habitantes.

A hidrelétrica representa 2,46% do subsistema Sudeste e Centro-Oeste. No início de junho, o reservatório estava com 10,09% do volume útil, enquanto que no fim de agosto operava com 21,24% da capacidade.

Emborcação

A UHE de Emborcação está instalada no Rio Paranaíba, em Araguari, e é a maior do Triângulo Mineiro, representando 10,72% do subsistema Sudeste e Centro-Oeste. O volume útil do reservatório no dia 4 de junho era de 22,27% e conforme atualização, em 27 de agosto operava com 11,77% da capacidade.

Emborcação tem uma potência instalada de 1.192 MegaWatts (MW). Isso significa que a energia elétrica máxima produzida abasteceria duas cidades do tamanho de Uberlândia. Porém, com o nível do reservatório baixo, não é possível gerar a potência máxima.

Nova Ponte

Já a UHE de Nova Ponte fica no Rio Araguari e é responsável por 11,13% do subsistema Sudeste e Centro-Oeste. Tem volume de 12.792 hm³ e potência instalada é de 510 MW.

Em 4 de junho, o volume útil da represa era de 15,99%. No entanto, 84 dias depois, o reservatório estava com 12,06% do volume útil total.

Emborcação e Nova Ponte preocupam operadora

As duas hidrelétricas são operadas pela Cemig e, segundo o gerente de Planejamento Energético da empresa, Ivan Sérgio Carneiro, são as que mais preocupam quanto ao nível dos reservatórios atualmente.

“A situação desses reservatórios é mais delicada, pois ambos estão na calha do Rio Paraná, que corresponde por 76% do armazenamento da região sudeste e mais de 50% do armazenamento nacional. As mesmas águas que produzem energia nessas usinas vão abastecer diversas outras hidrelétricas, inclusive, Itaipu”, disse Carneiro.

Apesar da situação crítica, a Cemig não prevê a interrupção total completa da produção. No entanto, confirmou que em determinados momentos turbinas podem ser desligadas e deixem de produzir energia.

População local preocupada com situação de Nova Ponte

A situação do reservatório de Nova Ponte tem causado preocupação na população ribeirinha, em comerciantes e produtores de peixes não só pela produção de energia elétrica, mas também por questões econômicas. O recuo da água já fez com que produtores fossem obrigados a remanejar os tanques de peixes para dentro do rio.

De acordo com a Cemig, a situação da represa é monitorada e, apesar de crítica, ainda tem margem para operação.

“Planejamos a cota mínima em todos os reservatórios operados pela Cemig. O nível do reservatório de Nova Ponte ainda pode recuar cerca de 8 metros antes de atingir 0% do volume útil”, disse o membro da equipe de planejamento de reservatórios da companhia, Lucas Freitas.

Seca

Segundo o meteorologista da Cemig, Arthur Chaves, o último período chuvoso foi até 60% menor que o previsto normalmente. No entanto, períodos chuvosos anteriores abaixo do esperado também contribuíram para o agravamento da situação em 2021.

“As questões de desmatamento e queimadas na Amazônia e no Centro-Oeste tem afetado sim as chuvas na região sudeste. Associado a isso está o tipo de reservatório que temos em Nova Ponte, por exemplo, que é chamado plurianual e necessita de pelo menos dois ou três períodos chuvosos normais pra retomar o nível”, disse Chaves.

A equipe de planejamento de reservatórios da companhia energética tem trabalho com dois cenários climáticos para os próximos meses. Um deles prevê melhora da situação a partir de setembro e o outro apenas em outubro.

“A expectativa é que as vazões do sistema comecem a melhorar a partir de outubro, isso num cenário pessimista. No cenário otimista, a expectativa é que o período chuvoso melhore em setembro. No entanto, para chegar em um armazenamento próximo de 100% precisamos de períodos chuvosos bons em alguns anos consecutivos”, concluiu Lucas Freitas.

 Por: G1

Fonte
WA Mídia
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