Minas Gerais: Zema quer congelar salários dos servidores por até doze anos

Governo de Minas vai apresentar propostas consideradas as mais rígidas de sua história. Entre elas, está o congelamento dos salários dos servidores públicos pelo mesmo período de adesão do estado ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

governador Romeu Zema busca uma adesão de nove ou até 12 anos, sujeita a autorização. Além disso, benefícios trabalhistas podem passar por reformas administrativas, e a privatização de empresas estatais está nos planos.

As medidas já foram enviadas ao Tesouro Nacional como parte de um plano de recuperação fiscal para facilitar a homologação da adesão.

O RRF é um programa federal destinado a estados com dificuldades financeiras, como Minas. As empresas que Zema pretende vender, como a Cemig, que tem 71 anos, a Copasa, e a estatal do nióbio, a Codeminas, são patrimônios públicos com mais de seis décadas.

Em oposição a essas medidas, o deputado Professor Cleiton (PV) propõe a federalização das empresas para mantê-las sob controle público. Entidades defensoras dos servidores e de seus direitos estão preocupadas com esse pacote que afeta os funcionários públicos.

O congelamento de reajustes salariais já foi implementado no Rio de Janeiro, que aderiu, sem sucesso, duas vezes ao RRF. Um dos defensores dessas medidas é Gustavo Barbosa, ex-secretário da Fazenda do Rio e atual secretário da Fazenda de Minas.

O plano de recuperação fiscal de Zema foi elaborado com base na legislação vigente, sob o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O governo atual prometeu mudanças para um regime menos severo, mas até agora não as formalizou junto ao Congresso Nacional.

O futuro do RRF em Minas ainda enfrenta duas questões. A primeira é a aprovação da adesão, de acordo com o plano de austeridade proposto pelos deputados estaduais. A segunda é a avaliação pelo governo federal, que, em princípio, é contrário a privatizações e ao sacrifício dos servidores públicos em nome do ajuste das contas públicas.

O plano de Zema também considera uma compensação de 3% nos salários dos servidores, como reposição inflacionária dos últimos doze meses, para amenizar o impacto do congelamento de reajustes por nove anos.

Enquanto argumentos de déficit público e desequilíbrio financeiro favorecem a adesão de Minas ao Regime de Recuperação Fiscal, a aprovação do referendo é menos garantida. O governo Zema não tem maioria para questões complexas e impopulares.

O referendo envolve uma consulta popular sobre decisões do estado que Zema teme que sejam rejeitadas, como a privatização de empresas estatais.

Por Regionalzão

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Regionalzão
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