Gurinhatã: Produtores de leite do município anunciam carreata e paralisação contra crise no setor

Pressionados pela desvalorização do produto e pelo aumento dos custos de produção, pecuaristas de Gurinhatã, no Triângulo Mineiro, decidiram radicalizar as ações contra a crise na cadeia leiteira. Em assembleia, o setor aprovou a realização de uma carreata nesta terça-feira (21) e a suspensão da entrega de leite aos laticínios na quarta-feira (22).

A mobilização é uma resposta direta à disparidade entre os custos operacionais e o valor pago pela indústria, cenário que tem inviabilizado a atividade de pequenos e médios produtores na região.

A decisão foi tomada na última quarta-feira (14), durante reunião na sede do Sindicato Rural do município. O encontro, que reuniu dezenas de produtores e autoridades locais, resultou também na institucionalização do movimento.

Para dar peso institucional às reivindicações, o Executivo Municipal instituiu, via decreto, o Comitê de Crise da Pecuária Leiteira de Gurinhatã–MG. O órgão tem como objetivo centralizar as negociações, buscar apoio político estadual e federal e articular ações concretas para mitigar o prejuízo das famílias que dependem da atividade.

Segundo relatos colhidos durante a assembleia, o clima é de desolação no campo.

Trabalho com leite há mais de 30 anos e esta é a pior crise que o nosso setor atravessa”, afirmou uma produtora durante a reunião, sintetizando o sentimento da classe.

Cronograma dos protestos

A estratégia definida pelos produtores visa dar visibilidade ao problema e pressionar por reajustes imediatos no preço do litro pago ao produtor.

  • Terça-feira (21), às 18h: Carreata pelas ruas de Gurinhatã, reunindo tratores, caminhões e veículos de passeio para alertar a população urbana sobre o impacto econômico da crise.
  • Quarta-feira (22): “Greve do leite”, com a não entrega do produto para a indústria captadora (laticínios e cooperativas).

A medida de suspender o fornecimento, conhecida como lockout em outros setores, é considerada extrema por envolver um produto perecível, mas foi votada como necessária diante da falta de margem de lucro.

Por Carlos Cravinhos

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