Minas Gerais: Estado tem 247 mil crianças fora da creche

Um estudo recente do “Todos Pela Educação” aponta para um cenário preocupante em Minas Gerais. O estado tem o maior número absoluto de crianças de 0 a 3 anos que estão fora da creche por dificuldades de acesso. Em 2024, a estimativa é que 247 mil crianças mineiras enfrentavam barreiras para o atendimento, como a falta de vagas ou escolas distantes.

Apesar dos avanços na expansão da oferta de vagas, o ritmo ainda é insuficiente para atender à demanda. De acordo com o Censo Escolar, Minas Gerais aumentou o número de matrículas em creches em 16,3% entre 2019 e 2024. No entanto, a taxa de atendimento de crianças na faixa etária de 0 a 3 anos em 2024 foi de 40%. A meta do Plano Nacional de Educação (PNE) era chegar a 50% de cobertura até 2024.

A dificuldade de acesso à creche em Minas Gerais é de 20,7%, um percentual que está acima da média nacional. Juntamente com Bahia, São Paulo, Pará, Pernambuco e Maranhão, Minas Gerais responde por mais da metade (51,1%) das 2,28 milhões de crianças que não estão em creches por dificuldade de acesso em todo o país.

Desigualdade e desafios na educação infantil

O estudo ressalta as profundas desigualdades regionais e socioeconômicas no acesso à educação infantil em todo o país. Enquanto a taxa de atendimento nacional de crianças de 0 a 3 anos chegou a 41,2% em 2024, a diferença entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres da população no acesso à creche aumentou para 29,4 pontos percentuais. No Brasil, apenas 30,6% das crianças mais pobres são atendidas na educação infantil.

A Pré-escola, obrigatória para crianças de 4 a 5 anos, também não atingiu a universalização. Em 2024, mais de 329 mil crianças nesta faixa etária estavam fora da escola no país. Em Minas Gerais, são 24,4 mil crianças de 4 e 5 anos sem frequentar a pré-escola.

Diante do cenário, a expansão do acesso à educação infantil com foco em equidade é uma prioridade nacional. O governo federal, por meio do Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil (Conaquei) e da Política Nacional Integrada para a Primeira Infância, busca uma estratégia nacional articulada. Além disso, o projeto do novo PNE estabelece a meta de atender 60% das crianças de 0 a 3 anos na próxima década.

Por Lorena Marques

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