Minas Gerais: Mais açúcar, menos etanol: safra de cana em Minas favorece o adoçante

Minas Gerais deve colher 81,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2025/26, segundo a Conab. O volume representa uma leve retração de 0,4% frente ao ciclo anterior, reflexo da estiagem prolongada e das altas temperaturas durante a rebrota das lavouras.

Mesmo com a queda no total produzido, a destinação da matéria-prima evidencia uma clara mudança de estratégia:

  • Açúcar: crescimento de 8,6%, chegando a cerca de 6 milhões de toneladas.
  • Etanol: queda de 12,1%, em um cenário de menor competitividade.

Açúcar em alta, etanol em baixa

A decisão das usinas de direcionar mais  cana para o açúcar está ligada ao bom momento do mercado internacional, onde o preço da commodity permanece valorizado, estimulando exportações e garantindo maior rentabilidade às indústrias.

Esse movimento ocorre mesmo diante do aumento da demanda interna por etanol, impulsionado pela entrada em vigor da nova mistura obrigatória E30 (30% de etanol anidro na gasolina comum). Ou seja, apesar do maior consumo doméstico de biocombustível, o açúcar exportado está mais vantajoso financeiramente, e as usinas ajustaram sua estratégia para capturar essa oportunidade.

O protagonismo do Triângulo Mineiro

O Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba concentram mais de 80% da moagem estadual e seguem como o polo central da cana em Minas.

Entre as principais usinas em operação na região estão:

  • CMAA (Companhia Mineira de Açúcar e Álcool) – com unidades em Uberaba, Limeira do Oeste e Canápolis, investe R$ 3,5 bilhões até 2033, com meta de faturar R$ 4 bilhões em 2025.
  • Usina Uberaba S.A. – entre Uberaba e Nova Ponte, tem capacidade de moagem de 3,2 milhões de toneladas.
  • Usina Coruripe – presente em Iturama, Limeira do Oeste e Carneirinho, supera 15 milhões de toneladas de moagem por safra.
  • Usina Santa Vitória (Jales Machado) – em Santa Vitória, é referência em produção de etanol e energia elétrica a partir do bagaço da cana.
  • Araporã Bioenergia – localizada em Araporã, produz açúcar, etanol e energia, com foco em modernização industrial e eficiência.

Uberaba mantém posição de destaque nacional, com mais de 115 mil hectares de cana plantados, reforçando a liderança do Triângulo no setor.

Estratégia e perspectivas

Para especialistas, a decisão de produzir mais açúcar é uma escolha de mercado: no curto prazo, os preços internacionais da commodity garantem margens mais altas que o etanol. Porém, o aumento do consumo interno de biocombustível, puxado pela mistura obrigatória maior na gasolina, pode reposicionar a estratégia das usinas nos próximos ciclos.

Assim, Minas Gerais se mantém como um player duplo: abastecendo o mercado externo com açúcar e respondendo pela crescente demanda interna por energia renovável, com o etanol e a bioeletricidade gerada a partir da cana.

Por Eloi Naves

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