Triângulo Mineiro: Região concentra usinas de cana e se consolida como polo sucroenergético
O Triângulo Mineiro se consolidou como um dos maiores polos sucroenergéticos do Brasil. A presença de diversas usinas de cana-de-açúcar na região não é coincidência: trata-se de uma combinação de solo fértil, clima propício, localização estratégica e tradição agroindustrial.
Condições favoráveis e logística estratégica
Os solos vermelhos do Cerrado, aliados ao clima tropical com estação seca bem definida, garantem produtividade elevada por hectare. Além disso, a região conta com abundância de recursos hídricos, como os rios Paranaíba e Araguari, fundamentais para irrigação e para a infraestrutura de bioenergia.
O Triângulo também se beneficia da logística privilegiada: está próximo a importantes mercados consumidores, como São Paulo, Goiás e Distrito Federal, e possui corredores de escoamento pelas rodovias BR-050, BR-365 e BR-153, além de ramais ferroviários que facilitam tanto a exportação de açúcar quanto a distribuição de etanol e energia elétrica.
Usinas em operação no Triângulo Mineiro
Entre as cidades que se destacam está Ituiutaba, onde funciona a unidade da BP Bunge, antiga CNAA, com capacidade de moagem superior a 2,5 milhões de toneladas de cana por safra e produção de açúcar, etanol e energia elétrica.
Ituiutaba Turismo
Em Uberaba, a Usina Uberaba S.A. tem capacidade instalada para processar cerca de 3,2 milhões de toneladas por safra. Já em Araporã, a Usina Alvorada Açúcar e Álcool Ltda. é referência regional na produção de etanol e açúcar.
No município de Limeira do Oeste, o destaque vai para a Unidade Coruripe, especializada em etanol hidratado, e para a Cabrera Central Energética, que também integra o polo sucroenergético local.
Outra referência importante é a Usina Santa Vitória, pertencente ao grupo Jalles, que opera com capacidade de aproximadamente 2,7 milhões de toneladas por safra e produz em torno de 240 milhões de litros de etanol, além de gerar bioeletricidade a partir do bagaço da cana.
No Pontal do Triângulo, entre Capinópolis e Cachoeira Dourada, está a Usina Vale do Paranaíba, do grupo CRV Industrial. Reativada em 2020, a planta tem capacidade de moagem de cerca de 1,7 milhão de toneladas por safra, reforçando a presença do setor na região.
Outras unidades também ampliam a força do Triângulo na bioenergia, como as da Coruripe em Iturama, Campo Florido e Carneirinho, além da CMAA em Canápolis, que produzem açúcar, etanol e energia elétrica.
Novos investimentos: Prata Bioenergia
Um dos projetos mais aguardados é o da Prata Bioenergia, em implantação no município de Prata. Com investimento superior a R$ 1 bilhão, a unidade deve iniciar operações em 2028, com capacidade para produzir etanol, açúcar, energia elétrica a partir da biomassa, além de subprodutos como levedura, soja e amendoim. O empreendimento promete gerar cerca de 1,8 mil empregos diretos, apostando em alta tecnologia, automação e inteligência artificial nos processos produtivos.
Impacto regional
Essas usinas movimentam intensamente a economia do Triângulo Mineiro. Além de gerar milhares de empregos diretos e indiretos, estimulam cadeias produtivas ligadas ao transporte, à fabricação de insumos e à manutenção de maquinário agrícola. Também fortalecem a arrecadação de impostos municipais e consolidam o papel da região como potência no agronegócio e na produção de energia renovável.
Com unidades em funcionamento e novos projetos em andamento, o Triângulo Mineiro reafirma sua posição estratégica no mapa sucroenergético brasileiro, combinando tradição agroindustrial, inovação tecnológica e vocação natural para o setor.
Por Eloi Naves





